A consciência é nosso próprio ser


A arte mais fina não reside na habilidade das construções lógicas, mas em certo contato que se espera manter sempre com o real.”,
Louis Lavelle (1883 – 1951), filósofo francês.

A consciência é uma pequena chama invisível e que tremeluz. Pensamos com frequência que seu papel é iluminar-nos, mas que nosso próprio ser está em outro lugar. No entanto, é essa claridade o que somos. Quando ela decresce, é nossa existência que cede; quando se apaga, é nossa existência que cessa.

Por que dizer que ela nos dá, daquilo que existe, a imagem mais imperfeita? Essa imagem é, para nós, o verdadeiro universo: jamais conheceremos outra. Por que dizer que ela nos encerra numa solidão onde jamais encontraremos companheiro? É ela que confere um sentimento às palavras sociedade, amizade ou amor. É nela que se forma o desejo, mas também o sentimento da posse, que é a própria posse.

Quando busca um objeto fora de si e sofre por não poder alcançá-lo, a consciência sofre por seus limites e busca apenas crescer. É que para ela não pode haver objeto além do que ela é capaz de conter. Pode-se muito bem dizer que ela está encerrada em si mesma como numa prisão: é uma prisão cujo os muros recuam indefinidamente.

Mas quem poderia pensar que a consciência é uma prisão, senão quem fecha todas as suas aberturas? Quando a consciência nasce, o ser começa a se libertar das correntes da matéria; ele pressente sua independência: uma carreira infinita se estende diante dele, a qual supera todas as suas forças e jamais sua esperança. À medida que a consciência cresce, torna-se mais acolhedora; o mundo inteiro lhe é revelado; ela se comunica com ele e se enche de alegria ao encontrar à sua volta tantas mãos que se estendem.

Não existe estado da consciência, mesmo sofrimento, mesmo o pecado, que não seja mais valioso que a insensibilidade ou a indiferença. Pois eles são marcas do ser e da vida que mostram a potência com que ela se deixa comover. Não se deve buscar aboli-los, mas convertê-los. Lança-se ao nada tudo o que é subtraído da consciência. A maior, mais rica e mais bela consciência é a que unifica o maior número de impulsos e purifica o maior número de máculas.

Extraído do livro: A Consciência de Si.
Escrito pelo filósofo francês: Louis Lavelle (1883 – 1951).
Traduzido por: Lara Christina de Malimpensa. Revisão técnica de Carlos Nougué.
Publicado por: É Realizações Editora, Livraria e Distribuidora Ltda, sob ISBN: 978-85-8033-159-2.

Assista ao vídeo no qual o filósofo Olavo de Carvalho faz uma pequena introdução à filosofia de Louis Lavelle:

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