A engenheira social inclusa nas telenovelas


O artigo abaixo é uma reprodução não integral da matéria intitulada: “Revelações comprometedoras de um autor de novelas”, publicado pela Revista Catolicismo em abril de 1997.
Quase duas décadas depois, em vídeo, Padre Paulo Ricardo de Azevedo Júnior mostra estudos que demonstram a continuidade e o aperfeiçoamento de tal engenharia social.

“Eu percebo uma coisa: que o telespectador, ao ver uma novela na TV, fica desarmado pela emoção. E quando você o encontra desarmado assim, você pode jogar elementos educativos dentro da trama que ele assimila muito bem”.

O leitor imagina quem ousou fazer uma declaração de tal gravidade? O autor de uma das novelas de maior audiência da televisão brasileira, “O Rei do Gado”, cuja apresentação pela Globo terminou em 14 de fevereiro último.

Sim, o Sr. Benedito Ruy Barbosa confessou com toda a clareza, num debate na “Roda Viva” da TV Cultura, a manipulação a que foram submetidos os telespectadores – talvez alguns que me estejam lendo – hipnotizados durante meses por um enredo e uma encenação, nos quais “foram jogados elementos educativos”.

Seria interessante se o autor da novela pudesse revelar o que ele entende por “elementos educativos”, pois não é fácil aquilatar quais sejam.

Segundo suas declarações, tais “elementos educativos” seriam assimilados por um telespectador já desarmado pela emoção. Ficaria ele assim inteiramente à mercê do autor da peça, podendo ser levado a praticar o bem ou o mal. O excesso de crimes, imoralidades e violências sexuais não se deverão, em boa medida, à tal “educação” dos programas de televisão?

A ditadura da novela

Durante o referido debate na TV, uma pergunta deixou embaraçado o autor da novela.

Baseado em suas próprias palavras — segundo as quais ele se gabava de que não era “revisado” por ninguém — o repórter lhe perguntou então quem controlava o “dono da novela”. Pois se ela tem uma audiência de 50 a 60 milhões de brasileiros, que podem ser levados para qualquer lado, quem dita as normas e estabelece os parâmetros? É ele mesmo? Então ele é um ditador? Não estaria assim instaurada uma ditadura da novela?

Inteiramente embaraçado, Benedito Ruy Barbosa saiu-se com uma evasiva, dizendo que eram os telespectadores que estabeleciam este limite, o qual ele não poderia ultrapassar. Tão logo pôde, o autor da novela desviou o assunto para criticar a Revolução de 1964 pela instauração da censura.

Mas ficou insinuado, pelo que acabara de confessar, a existência de uma espécie de ditadura que dirige os telespectadores.

Disso já bem advertia Carlos de Laet – ilustre membro da Academia Brasileira de Letras nos fins do século passado e início deste – ao afirmar que, naquela época, havia uma verdadeira tirania implantada pela imprensa.

Escrito por Diogo Waki.
Publicado originalmente pela Revista Catolicismo, em abril de 1997.

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Para ler a transcrição do programa “Roda Viva” de 24 de fevereiro de 1997, clique aqui.
Para ler o artigo completo publicado pela Revista Catolicismo de abril de 1997, clique aqui.

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Assista ao vídeo intitulado: “As Novelas e a Engenharia Social”, onde o Padre Paulo Ricardo de Azevedo Júnior apresenta estudo sobre a engenharia social que permeia as telenovelas.

“Muitos ao menos suspeitavam que as novelas tinham um grande impacto na nossa sociedade, sobretudo que elas moldavam a moralidade de nossas famílias, pois bem, a suspeita já não existe mais!”

Faça download dos documentos Mencionados no vídeo:

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