A Providência de Deus


Você não pode ser qualquer coisa que desejar ser. Mas pode ser tudo o que Deus quer que você seja.”, Max Lucado: escritor e pastor evangélico norte-americano.

Graça e paz a todos. Estou muito feliz. É benção de Deus ter a oportunidade de trazer a todos vocês um pouco do conhecimento que nossos pais na fé, com tanto zelo e temor, sistematizaram para nos ajudar a entender tudo aquilo que o Senhor quis nos revelar através das Sagradas Escrituras. Como meu pai, o Presbítero Inácio vive me dizendo: “Quem ensina aprende mais do que aquele que está sendo ensinado”. Sendo assim, a minha maior alegria não é somente o fato de passar o conhecimento, mas sim, depois de estudar, poder ter compreendido um pouco mais quem é esse Deus que governa, orienta e cuida de toda a criação.

O tema que iremos tratar hoje está no quinto Capítulo do Catecismo Maior. A pergunta em questão é: O que são as obras da providência de Deus? Mas antes de entrarmos no assunto, é necessário alinharmos rapidamente alguns pontos.

O primeiro ponto – que, acredito, seja do domínio de todos, por isso não iria me alongar comentando-o – é que “Toda a Escritura é inspirada por Deus” (2 Timóteo 3:16). Tudo que Deus quis que nós soubéssemos sobre quem Ele é está na Bíblia. Esclarecido isso, podemos dar continuidade.

O segundo ponto é sabermos o que é que a Bíblia fala a respeito de quem é Deus. Ela nos diz que Deus é Eterno e imutável em seu ser: “Porque eu, o Senhor, não mudo” (Malaquias 3,6). Ele é infinito em sabedoria e poder: “Grande é o Senhor nosso e mui poderoso; o seu entendimento não se pode medir”; “Meu é o conselho e a verdadeira sabedoria, eu sou o Entendimento” (Provérbios 8:14). Ele é perfeito: “Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai Celeste (Mateus: 5.48). Ele é infinito em santidade, justiça, bondade e verdade: “E clamavam, dizendo: “Santo, Santo, Santo é o Senhor dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória” (Isaias 6.3); “… porque todos os seus caminhos são juízo; Deus é fidelidade, e não há nele injustiça; é justo e reto” (Deuteronômios 32.4); “Porque o Senhor é bom, a sua misericórdia dura para sempre, e, de geração e geração, a sua fidelidade” (Salmos 100:5).

Tendo recapitulado esses dois pontos, podemos dar continuidade. O que são as obras da providência de Deus? O catecismo responde: “As obras da providência de Deus são os Seus mui santos, sábios e poderosos governo e preservação de todas as Suas criaturas, ordenando-as, e a todas as suas ações, para a Sua própria glória”. Podemos concluir com isso que as obras da providência são uma forma de Deus executar os seus decretos. Decretos estes que servem para a manutenção e preservação de toda criação, tudo para sua Santa Glória.

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Muito importante termos essa concepção de Deus. Não podemos nos deixar enganar pela heresia Deísta. Para os que não sabem o que essa doutrina prega, ela alega que “Deus criou o universo e depois o deixou a cargo do destino que o próprio universo produzisse” (retirado do Catecismo Maior). Sendo assim, ela quebra a ideia do Deus pessoal de que a Bíblia fala. “Considerai como crescem os lírios do campo: eles não trabalham, nem fiam … Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós outros, homens de pequena fé?” (Mateus 6.28;30). Nosso Senhor é um Deus pessoal que nos conhece. O Senhor cuida diretamente de nós. E o mais maravilhoso é que ele cuida através da sua santa, sábia e poderosa providência.

Nós podemos afirmar, sem medo, que a providencia de Deus é santa, justa, bondosa, sábia, poderosa, porque ela é o reflexo daquilo que Deus é. Ela é a execução de todos os atributos que vimos anteriormente. “Justo é o Senhor em todos os seus caminhos, benigno em todas as suas obras” (Salmos 145:17). Tudo procede do Senhor. Ele é “… maravilhoso em conselho e grande em sabedoria” (Isaias 28:29).

Tal providência é poderosa para governar e controlar todas as criaturas. Não podemos, de maneira alguma, desassociar a onipotência de Deus (Salmos 91:1) com a execução dos seus decretos. Deus executa todos seus decretos “com mão poderosa e braço estendido, porque a sua misericórdia dura para sempre” (Salmos 136:12). Tal misericórdia é esta que coordena e controla todas as nossas ações. Sem a providência de Deus o mundo já teria entrado em colapso. O mundo pós-queda só tem um destino: a autodestruição.

Toda a criação está corrompida pelo pecado. O ser humano é mau por essência. Nunca podemos esquecer da verdade da depravação total. Não podemos esquecer que “por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram” (Romanos 5:12). A natureza do homem caído é impulsionada à prática da prostituição, avareza, idolatria, impureza, lascívia, desejo maligno, etc. (1 Coríntios 11:14). Deus é tão misericordioso que controla esses impulsos do homem caído. Podemos ver claramente isso na história de José. José chega a esta conclusão quando observa o quadro da história como um todo: “Deus me enviou adiante de vós, para conservar a vida por grande livramento. Assim, fostes vós que me enviastes para cá, e sim Deus, que me pôs por pai de Faraó, e senhor de toda a sua casa, e como governador em toda a terra do Egito” (Gênesis 45. 7-8). Deus utilizou a perversidade do coração dos irmãos de José para que no futuro ele pudesse socorrer o povo escolhido. Para que ele pudesse socorrer o seu pai no momento de tribulação.

Qual é a natureza da liberdade humana?

Leia também: “Qual é a natureza da liberdade humana?”, excerto da obra “Quem é Deus?”. Por Battista Mondin (1926 – 2015).

Nesse mesmo contexto histórico, podemos ver a providência de Deus tratando do caráter dos seus filhos. José, de prepotente e causador de contendas, tornou-se um homem generoso e pacificador. Judá, de perverso e idólatra, homem que colocava a si em primeiro lugar, tornou-se um moralista bondoso, adorador do Deus vivo. E o mais impressionante de tudo isso é que Deus não controla tudo por causa do homem. Não! Deus controla tudo e todos para o louvor da sua própria glória. A sua glória é ser aquilo que Ele é. A sua glória é infinita porque ele é infinito. Tudo é por Ele e para Ele. “Porque dele, por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém” (Romanos 11:36)!

Sendo assim, que temeremos? Acaso Deus é “homem para que minta” ou “filho de homem para que se arrependa”? Não! Já vimos que isso é impossível. Acaso seremos como Pedro que, em vez de ver o Cristo na sua frente preferiu ver as ondas e as tempestades do mundo ao redor? Ah! Homens de pouca fé! Não sabeis quem é o vosso Deus? Pois bem. Tenho uma boa notícia para te dar. Mesmo que você olhe para as ondas da vida e esqueça de tudo aquilo que foi visto aqui, Deus não irá deixar de ser Deus. Ele pode até deixar você afundar por um momento nas águas da vida. Mas Ele não deixará você se afogar. E tudo isso para lembra-te que ele é Deus; que Ele é o que é; que Ele controla tudo com o seu poder e de acordo com a sua Santa vontade; que mesmo na morte podemos ter confiança, pois Ele nos prometeu vida; que mesmo sem merecermos Ele nos leva ao cume da sua providência, que é a salvação em Cristo Jesus. A ele seja a honra para todo sempre, amém.

Escrito por Diego Martins Silva.

Em adendo, ouça podcast no qual Willian Lane Craig expõe quatro visões sobre a Divina Providência:


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