Agora, por exemplo, é Natal


Não pareço conservador, eu sou conservador. Conservador porque respeito aquilo que é clássico. Clássico não é o velho, clássico é aquilo que é eterno.”,
Dr. Enéas Ferreira Carneiro (1938 – 2007).

Estou cada vez mais convencido de pertencer a uma espécie em extinção, a merecer legislação protetora e severa defesa por alguma ONG preservacionista. Alguém dirá que incorro em exagero, mas não. Minha espécie está sendo extinta e o que torna a situação mais dramática é que isso se dá com a aquiescência e a colaboração dos próprios membros do grupo. Sem perceberem o tamanho da encrenca, eles estimulam o processo de eliminação desencadeado sobre si e acionam os gatilhos das metralhadoras verbais que seus predadores usam para destruí-los.

Refiro-me à raríssima espécie dos conservadores, ou seja, daqueles que são favoráveis à ordem, à justiça e à liberdade. Refiro-me à espécie dos que não gostam que invadam o que é seu nem o que é dos outros. Defendem a civilização, a instituição familiar e os valores da tradição judaico-cristã. Atribuem importância à disciplina e concedem especial deferência aos idosos. Julgam que as mulheres são credoras naturais da cortesia masculina. Desagradam-se ante a violência e seu uso como alternativa ao processo político e democrático. Têm ideais elevados, mas são contra as utopias, em nome de cuja inatingibilidade são cometidas as piores perversidades. Creem que as necessárias mudanças sociais devem ser produzidas no contexto das instituições, preservando-se o que tem comprovado valor moral e utilidade prática.

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Sou conservador, sim, porque a história me ensina que é de tais conteúdos e condutas que provêm a paz, o progresso, a harmonia social e os princípios em que melhor se aciona a democracia. É neles que se inspiram os maiores estadistas da humanidade. Sou conservador e percebo, contristado, que, colocando-se ao gosto da moda e cedendo ao impacto da cultura imposta pelos nossos predadores, muitos que pensam como eu reproduzem, inocentemente, o discurso que os condena à extinção.

Agora, por exemplo, é Natal. Mesmo? Olha que ando por aí e só vejo trenós, constelações de estrelas, toneladas de algodão, multidões de papais-noéis, pilhas de caixas embrulhadas para presente. E quase não vejo presépios ou mensagens que lembrem o fato que faz a festa: o nascimento de Jesus. Mas como eu sei que é Natal, e sou conservador, insisto em desejar aos leitores que ele ganhe, em seus corações, o sentido almejado por Deus em sua radical e santificadora intervenção na História humana.

Feliz Natal!

Escrito por Percival Puggina.
Publicado Originalmente por: Mídia Sem Máscara, em 18 de dezembro de 2007.

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