Ele sim. Mas por quê?


Brasil acima de tudo, Deus acima de todos.”,
Jair Messias Bolsonaro.

Há poucas horas, Jair Messias Bolsonaro foi eleito 38º Presidente da República Federativa do Brasil pelo Partido Social Liberal, o PSL. Não é meu intento fazer aqui um exame pormenorizado dos eventos que culminaram neste momento histórico – muitos ainda o farão. Quero limitar-me, no entanto, a um breve comentário sobre uma fala, mais precisamente uma pergunta feita momentos após o anúncio oficial da eleição de Bolsonaro, por um assim chamado youtuber – pois é.
Entre os psicodélicos esperneios e chiliques da esquerda, o referido cidadão perguntava-se, no característico tom de falsa maturidade de quem se acha no direito de formar opiniões sobre assuntos que desconhece: “o que diremos às nossas crianças quando, anos mais tarde, nos perguntarem por que nossa geração elegeu um fascista como Bolsonaro?”

Longe de injustamente dignificar, com uma resposta, celebridades da internet cuja percepção da realidade e do sofrimento humano vai só até o fundo vazio da caixa de Sucrilhos, percebi ser esta uma excelente oportunidade para, sucinta e objetivamente, citar alguns pontos que não só servirão de resposta às “nossas crianças” do futuro, mas também a todos que ainda não tenham compreendido o que de fato esteve em jogo nesta corrida presidencial, fazendo-a ímpar na história das nossas eleições diretas. Vejamos.

Foi contra certas coisas e a favor de outras que a maioria da população brasileira votou não como o faz a esquerda: em deuses encarnados, todo-poderosos, misericordiosos ao nos agraciar com sua luz divina que a todos abençoa e na qual todos os problemas e crises de qualquer ordem se dissipam, mas em um homem que, apesar de essencial para todo o processo, poder-se-ia dizer coadjuvante se considerado o cenário total, posto que condensou em torno de si valores e ideias infinitamente superiores a um simples homem ou ideologia, valores estes os reais alvos de seu eleitorado.

Foi contra uma (pseudo) cultura na qual uma exposição chamada Cu É Lindo, além de financiada com dinheiro público, é considerada arte [1]; foi contra a normalização e glamourização da pedofilia, ao deitar um marmanjo pelado e mandar crianças acariciá-lo [2], chamando isso de expressão artística, por exemplo, ou ao apresentar, em outras exposições voltadas para o público infantil, cenas de zoofilia e pedofilia (sem contar a zombaria e os ataques explícitos ao cristianismo, principalmente ao catolicismo) como as situações mais corriqueiras e recomendáveis do mundo [3] – afinal, o que é a pedofilia senão mera opção sexual como qualquer outra? [4]; foi contra o movimento feminista, cujos integrantes e apoiadores exigem o devido respeito da sociedade, mas não veem desrespeito algum em invadir igrejas, destruir imagens, enfiar crucifixos na vagina, defecar sobre altares e simular a Virgem Maria abortando Jesus Cristo [5]; foi contra o mesmo movimento, que se diz defensor dos direitos das mulheres mas persegue e destila todo tipo de ódio contra aquelas que fazem valer o direito de não serem esquerdistas e não se reconhecerem representadas pelo feminismo (sequer de compartilhar do sentimento de “opressão da sociedade machista”), e que espanca e força abortos nas que decidem pelo direito de ter seus filhos; foi contra o movimento gayzista, que alardeia uma violência anti-gay em dimensões apocalípticas, mas persegue e agride – física, moral e psicologicamente – outros homossexuais, desde que não se reconheçam também de esquerda ou não se sintam representados pelo movimento LGBT; foi contra movimentos antirracismo que chamam de “capitão do mato” todo negro que não se reconheça – novamente – esquerdista, e que se recuse a vestir a carapuça ideológica de vitimização e coitadismo que a narrativa do momento lhe impõe [6]; foi contra chamar de nazista um homem que é contra o aborto (enquanto a esquerda comemora a eugenia – esta sim, enaltecida e praticada por Hitler – na Finlândia, por exemplo, com a quase extinção de crianças com Síndrome de Down, porque mortas já antes de nascer, no ventre das mães, aos primeiros sinais da condição [7]) e que foi, se não estou enganado, o primeiro político brasileiro a declarar publicamente que o Brasil, assim como os Estados Unidos, deveria o quanto antes mudar sua embaixada para a cidade de Jerusalém e reconhecê-la como capital de Israel; foi contra a doutrinação ideológica em sala de aula e a transformação das universidades em diretórios de propaganda revolucionária, onde não é lido sequer um único autor que não defenda as agendas progressistas; foi contra um partido cujo líder supremo, eleito duas vezes Presidente da República – não obstante destruir a educação nacional para fins ideológicos – se orgulha do analfabetismo e diz que ler livros dá dor de cabeça; cujo então Ministro da Educação, Sr. Fernando Haddad (esse mesmo), fala “cabeçário” [8]; cujo guru intelectual, Sua Excelência Dr. Emir Sader – graduado em filosofia, mestre em filosofia política e doutor em ciências políticas pela USP – escreve “Getulho”, “Chomski” e “expoliação” [9]; cuja líder feminista da moda, Manuela d’Ávila – que se diz jornalista e mestranda não sei de quê – escreve “evangélio” [10], ainda que se diga “feminista e protestante”; foi contra este mesmo partido, que teve sua fundação ilegal confessa pelo próprio presidente à época, e que tirou comida da mesa dos brasileiros para financiar regimes socialistas por toda a América Latina e fora dela [11]; foi contra a grande mídia inteira, financiada por figuras como George Soros [12] e outras aberrações globalistas, cujas publicações todas, sem exceção, são distorcidas e divulgadas de modo a apoiar uma agenda ideológica específica (adivinhe qual), e não para noticiar qualquer coisa que seja, algo que toda pessoa dotada de um funcionamento cerebral normal deveria ao menos estranhar.

Mas, como disse acima, se este voto foi contra certas questões, foi também a favor de outras. Foi a favor de que o Brasil volte a produzir compositores como um Villa-Lobos ou um Carlos Gomes, que parecem ter existido há eras, tamanha a distância entre suas obras e o que hoje é aclamado pela classe artística; foi a favor de que voltem a germinar escritores do calibre de um Machado de Assis, de um Lima Barreto, de um Gilberto Freyre, de um Gustavo Corção, de um Bruno Tolentino, que representem algum valor para a cultura universal, e não de uma Márcia Tiburi – a mulher que vê “uma lógica no assalto” [13] –, que mal consegue escrever duas linhas sem cometer um non sequitur, ou de uma Marilena Chaui, cujo ápice da produção intelectual é um plágio da célebre Introducción a la Filosofía de Julián Marías, coisa que já havia feito nos idos de 1980 com Claude Lefort (seu corajosíssimo amante) no livro Cultura e Democracia [14]; foi a favor de, por falar em filosofia, voltarmos a produzir filósofos como Mário Ferreira dos Santos, um dos maiores do século XX, e Olavo de Carvalho, este o responsável maior pelo despertar de nossas consciências, do qual temos a obrigação moral de escrever incansavelmente, em separado e com infindável gratidão; foi a favor da fecundação de uma sociedade onde o conhecimento seja profunda e sinceramente desejado, e não odiado; onde valorizar a língua não seja considerado elitismo, e onde ser bem sucedido não seja crime.

Estes serão alguns motivos suficientes para que “nossas crianças” entendam, sem qualquer dificuldade, a eleição de um homem simples e corajoso, que acabou se tornando um porta-voz da expressão autêntica de todo um povo reunido em torno de um conjunto de valores que, tendo norteado sua orientação no mundo desde a própria fundação da nação, lhe foi arrancado à força pela guerra ideológica. O apoio a Bolsonaro foi um clamor à sensatez, à verdade e, sobretudo, uma recusa à escravidão mental – esta, a de pior tipo – que começou a se instalar no Brasil desde o regime militar, com a “ocupação dos meios de ação” conforme ditava Antonio Gramsci em seus livros então recém traduzidos para o português.

Terá ficado claro, para o leitor inteligente, que não se trata aqui de justificar uma campanha política para Bolsonaro – primeiro porque escrevo depois de já consumada sua eleição, segundo porque em termos futuros, jamais irei endossar quaisquer atitudes suas que venham a ferir a prudência (por exemplo, se Bolsonaro for condenado por corrupção e preso, podem apostar que não me verão fazendo greve de fome contra a justiça, devidamente uniformizado em camisetas com os dizeres “Bolsonaro Livre” na porta da Polícia Federal) –, mas apenas de apontar, ainda que de modo rudimentar, o estado de coisas que fez com que a própria população percebesse estas eleições como um primeiro passo rumo ao desmantelamento de um cenário no qual a livre circulação de ideias – matéria-prima da verdadeira cultura – já vem impedida desde a base, a partir do momento em que não há discussão de ideias com quem não tem ideia nenhuma, mas apenas planos estratégicos para uma tomada total do poder. Um dos efeitos decorrentes é acabar por apontar o grau psicopatológico do cinismo daqueles que, no velho e infalível preceito do “acuse-os do que você faz, xingue-os do que você é”, conferem a si próprios a autoridade e o direito de distribuir, indiscriminadamente e com a mais límpida consciência, os rótulos de “intolerante” e “violento”, quando é exatamente com intolerância e violência que reagem a todos que ousam não se dobrar diante de suas ideias pútridas de “um mundo melhor”. E ainda têm a cara lavada de se perguntar sobre o que diremos da ascensão do “fascismo” (coisa que não fazem a menor ideia do que seja) ao mesmo tempo em que apoiam uma ideologia que matou pelo menos 110 milhões de pessoas ao longo da história [15], recorde que nada no mundo – de guerras a epidemias – conseguiu jamais igualar.

Esta é a situação, clara e simples, que levou a um movimento – este sim, genuinamente popular – de brasileiros cansados de serem proibidos de dizer o que pensam, de querer o que querem, de ser o que são, e que gritavam a plenos pulmões: “eu vim de graça”. Na verdade, não era de graça – é que a recompensa a que aspiravam é de uma ordem tal que não se pode comprar com dinheiro (ou com um pão com mortadela).

Para os que serão “resistência”, é bom saber que esta não se faz com “textão” no Facebook, choro e um pote de Nutella (nem com quebra-quebra e porradaria nos adversários, afinal perder as eleições e aceitar a derrota como a concretização de uma das duas únicas possibilidades lógicas de um pleito – vencer ou perder – é condição sine qua non para o exercício da democracia, a segunda palavra mais presente na boca do esquerdista [16]). A nossa, estamos fazendo com muito, muito estudo, paciência, resiliência, solidão muitas vezes, sacrifícios e um contínuo ato de olhar para dentro de si, este sem dúvida o mais árduo de todos.

No fim, o “Ele Não” falhou. A maioria escolheu ele, sim. Mas não é só ele: ele sim, nós sim. Até você, que vem sentindo algo arranhar na alma, e que vai percebendo que talvez esses “fascistas” não sejam assim tão ruins, sim também. Afinal, somos todos brasileiros – e o digo sem qualquer ufanismo, mas como simples constatação de um fato –, e não há gesto mais nobre do que deixar-se convencer por aquilo que, no fundo, já sabíamos ser verdade, mas estávamos apenas com muito medo de admitir.

Daniel Marcondes de Oliveira
29 de outubro de 2018

 Notas:

  1. https://www.oantagonista.com/sociedade/voce-financia-o-cu-e-lindo/.
  2. https://jornalivre.com/2017/09/29/peladao-da-exposicao-pedofila-do-mam-comemorava-ideologia-de-genero-em-redes-sociais-no-ano-passado/
  3. Confira o excelente artigo de Hyago de Souza Otto, demonstrando os limites jurídicos entre a liberdade de expressão e o crime, em referência à exposição Queer Museu patrocinada pelo Banco Santander (Santander Cultural): https://hyagootto.jusbrasil.com.br/artigos/497175040/exposicao-queer-museu-promovido-pelo-santander-cultural-arte-ou-crime
  4. https://www.tercalivre.com.br/pedofilos-pedem-para-serem-aceitos-por-comunidade-lgbt/.
    Aqui: https://www.youtube.com/watch?v=Oc5lRByAjcg&feature=youtu.be, Denis Gonçalves Ferreira, mestre em psicologia social pela PUC-SP e pesquisador do Núcleo de Pesquisa em Direitos Humanos e Saúde da População LGBT (NUDHES) da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (FCMSCSP), explica porque a pedofilia não é crime, e como o pedófilo, para muito além do abuso sexual, está sempre visando uma relação afetiva – como namorar, casar-se e ter uma relação duradoura – com a vítima, por julgar, inocentemente, que esta já esteja preparada física e emocionalmente para tal. Me pergunto o que o professor diria dos pedófilos que estupram crianças de 1 ano de idade, por exemplo – será pelo nobre e incompreendido desejo, pobrezinhos, de se envolver afetivamente e contrair matrimônio com crianças de 1 ano? Será que estas lhes pareciam física e emocionalmente aptas a um casamento quando, ainda sem terem aprendido sequer a falar, eram trucidadas muitas vezes até a morte durante o abuso? 
  5. O vídeo não é muito explicativo, mas é um dos poucos que contém a imagem e ainda não foi tirado do ar: https://www.youtube.com/watch?v=XiMDmvkj37Q. Qualquer busca simples com as palavras “feminismo” e “igreja” no YouTube ou no Google são suficientes para encontrar não só as aberrações citadas acima como muitas outras que não caberiam em um livro (inclusive sites de “fact-cheking” desmentindo acontecimentos comprovadamente reais). 
  6. Apenas para uma pequena amostra, vale a pena conferir o perfil Ódio do Bem, no Twitter (e suas variantes, já que são frequentemente censurados e derrubados do site), que reúne, em tempo real, as maiores pérolas do (verdadeiro) discurso de ódio do pessoal do “mais amor, por favor”, a maioria delas contra as mesmas “minorias” que juram defender. 
  7. https://padrepauloricardo.org/blog/descubra-o-modo-perturbador-como-a-islandia-erradicou-a-sindrome-de-down
  8. https://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/haddad-acha-que-cabecalho-e-cabecario-e-uma-boa-rima-para-falsario/
  9. Me perdoem a referência a um artigo de Reinaldo Azevedo, mas aqui ele foi muito bem: https://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/ele-escreve-getulho-expoliacao-e-oprobio-entre-outras-barbaridades-mas-vai-presidir-uma-instituicao-de-cultura/
  10. https://republicadecuritiba.net/2018/10/17/vice-de-haddad-troca-evangelho-por-evangelio-e-vira-piada-na-internet/
  11. Confira o artigo Lula, réu confesso de Olavo de Carvalho, escrito ainda em 2005 para o Diário do Comércio, disponível em http://www.olavodecarvalho.org/lula-reu-confesso/
  12. http://www.ilisp.org/noticias/fundacao-de-soros-gastou-us14-bilhoes-em-35-anos-para-influenciar-politica-mundial/. Experimente digitar “George Soros Mídia Brasileira” na busca do Google e surpreenda-se. 
  13. https://www.youtube.com/watch?v=ePjuGtN3NXs
  14. Confira o artigo O silêncio palavroso de Marilena Chaui de Roberto Romano, escrito em 2005 para o Correio Popular, a respeito do plágio a Lefort, disponível em https://bv.fapesp.br/namidia/noticia/4797/silencio-palavroso-marilena-chaui/
  15. Sobre isso, conferir O Livro Negro do Comunismo (escrito, aliás, por esquerdistas), organizado por Stéphane Courtois, e a vasta bibliografia de Rudolph Joseph Rummel a respeito, este considerado o maior especialista mundial no que chamou de “democídio”, o assassinato em massa provocado por regimes políticos. 
  16. A primeira é “fascismo”. 

Em complemento, compreenda os motivos pelos quais Olavo de Carvalho não deseja assumir o Ministério da Educação:

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