O paulista e o pernambucano


“Civilização é a possibilidade que Deus dá aos homens de melhorar o rascunho que Ele mesmo fez.”,
Plinio Corrêa de Oliveira (1908 – 1995).

O pernambucano é o paulista do Nordeste. E foi verdade outrora que o paulista era o pernambucano do Sul.

Antes da industria­lização de São Paulo, o paulista era um bandeirante, sendo o pernambucano do Sul, o homem de guerra do Sul. Pernambuco e São Paulo foram dois Estados dotados de espírito bélico. Nós, em São Paulo, lutamos pouco contra os invasores de fora, mas tomamos a cargo e a peito desbravar o Brasil, ocupando os nossos vastos espaços.

Basta pensar que houve paulistas que, andando a pé, chegaram até o Equador, para “lavar as mãos no Oceano Pacífico”. Naquele tempo, sem estradas, atravessando a selva. É uma coisa fenomenal!

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Mas há uma diferença entre os dois tipos, que é a seguinte. O pernambucano é muito aparatoso no pensamento, possui inteligência forte, lógica e um palavreado substancioso, rico. Não o caracteriza o charme do baiano, nem pretende tê-lo. Pretende ir direto às coisas e resolvê-las. É sério, um pouco brusco, sendo dotado de senhorio.

Bartolomeu Bueno da Silva
(1672 – 1740), o Anhanguera.

O paulista não é assim. No tempo das bandeiras, ele possuía algumas notas típicas que hoje não mais se observam. Ou seja, com o tempo o paulista foi se cosmopolitizando, sobretudo se afrancesando. Mas sem deixar de ser brasileiríssimo. Este fator conferia um certo verniz ao paulista. Sou um grande admirador de vernizes, que em cima da madeira produzem o efeito da educação em cima do homem. E o paulista adquiriu um  tom de vida palaciano, que não é próprio ao modo de ser pernambucano.

O gênero pernambucano é o da casa grande do senhor de engenho. Do tipo daqueles nobres caçadores da Europa, com bigode, meias longas, cães perdigueiros e espingarda na mão.

Assim, há os nobres de cidade, que são mais ajeitados, e os nobres de castelo. Enquanto o paulista é nobre de cidade, o pernambucano é mais nobre de castelo.

Proferido por Plinio Corrêa de Oliveira (1908 -1995) para sócios e cooperadores da TFP em abril de 1990.
Visite o website do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira (IPCO), clique aqui.
Publicado originalmente pela Revista Catolicismo em setembro de 2013.

Nota: O autor era descendente de pernambucanos por parte de pai, e de paulistas por parte de mãe.

Obra de Victor Meirelles (1832 – 1903), intitulada Batalha dos Guararapes:

Batalha dos Guararapes, obra de Victor Meirelles (1832 – 1903), confeccionada em 1879.
Técnica: Óleo sobre tela. Dimensões: 4,94 x 9,23 metros.

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