Por que você deveria ser um conservador


O homem que conserva a fé no passado não se assusta com o futuro.”, José Ortega y Gasset (1883 – 1955): Filósofo espanhol.

Uma sociedade primitiva está sendo devastada por uma doença, então você traz a medicina moderna para dar suporte e aniquilar a doença, apenas para descobrir depois que ao fazer isso você trouxe uma explosão populacional. Você introduz métodos contraceptivos para controlar a população e descobre ter desmantelado toda uma cultura. Em casa você elabora leis para aliviar a angústia das mães solteiras e descobre que você criou um incentivo financeiro para a produção de crianças ilegítimas. Você garante um salário mínimo e descobre que você extinguiu, não apenas algumas indústrias específicas, mas a própria indústria como traço pessoal [empreendedorismo]. Você dá a chance de todos viajarem, e como resultado, não resta nenhum lugar digno de viajar. E assim por diante.

Esse é o melhor e mais velho argumento em favor do conservadorismo: o argumento advindo do fato de que nossas ações quase sempre têm consequências imprevisíveis e indesejáveis. É um argumento de tão grande e tão triste fundo de experiência, que nada pode superar isso racionalmente. Mas de forma alguma, pelo menos nas sociedades como a nossa, jamais se deu o devido valor a esse argumento. Quando as chamadas “reformas” provam, repetidamente, serem curas piores que a doença, assume-se sempre a necessidade de uma dose maior e mais drástica dessa “reforma”.

Por que as pessoas são tão infelizes? De acordo com Malthus, as principais causas da tristeza humana são a fome, as guerras e as doenças. Certamente esse é um maravilhoso ponto de vista externo do assunto, não? Se isso fosse verdade, então neste momento, a maioria dos cidadãos de Nova York, Londres ou Sidney, agora na casa dos 30 anos, por não terem a mais remota experiência de fome, guerra e doenças, devem ter alcançado o patamar máximo de felicidade acessível a um ser humano. Alguém acredita que isso seja verdade? Essas próprias pessoas, não acreditam nisso de alguma maneira; o que seria suficiente em si mesmo para tornar-se uma inverdade, mesmo que não houvesse nenhum outro fator em jogo. Uma visão como essa de Malthus, negligencia completamente uma peculiaridade interna do Homo Sapiens: ele é equipado não apenas com um termostato, mas também com um “descontentamentostato”, que mantém sempre o seu descontentamento, se não em um nível constante, pelo menos em um nível mínimo determinado, e esse mínimo já é um valor alto.

Mas mesmo quanto às causas externas da tristeza, a lista de Malthus omite uma causa que, em qualquer época do nosso século, é tão importante quanto à guerra, fome ou as doenças. Essa causa é na verdade a responsável pela maior parte das nossas guerras e surtos de fome. Falo da benevolência.

Há milhões de exemplos para se dar: aqueles extraídos dos efeitos da legislação do “bem-estar” das sociedades como a nossa, outros acerca dos efeitos da tecnologia ocidental sobre sociedades primitivas e assim por diante. Mas eu irei direto ao maior e mais óbvio exemplo de todos: o comunismo do século XX. Ele é um mal tão pavoroso, que alguns ignorantes ou supersticiosos acreditam em uma raiz psicológica de natureza satanista, ou mesmo na possibilidade de ser uma obra do próprio Satã. Sobriamente falando, está além de qualquer questionamento que a raiz psicológica do comunismo do século XX é a benevolência. Lênin, Stálin e o resto, não fariam nada do que fizeram se não fosse pelo fato que eles começaram a desejar o bem da raça humana. O comunismo difere, é claro, da associação Friends of Humanity, na crença referente às condições necessárias para se alcançar a felicidade humana. Mas o combustível do comunismo sempre foi o mesmo dos utopistas: o apaixonado desejo de abolir, ou pelo menos suavizar, a tristeza humana.

Ainda assim, todos sabem quais foram os verdadeiros efeitos do comunismo. Eles trouxeram um nível e extensão sem precedentes de sofrimento onde quer que eles tenham triunfado; e onde eles se frustraram, houve inextinguível guerra e, na maior parte dos casos, também fome.

Quando eu digo que esses são os efeitos da benevolência, eu evidentemente me refiro à benevolência que toma a totalidade da humanidade como objeto. Para ser um pouco mais analítico, me refiro ao estado de espírito que não apenas põe a benevolência universal acima das obrigações morais, mas coloca a moralidade acima de tudo.

O que é o conservadorismo? Não é a preferência pelo antigo e experimentado, acima do novo e do não testado?”, Abraham Lincoln (1809 – 1865): 16° presidente dos Estados Unidos.

É importante compreender que é apenas a combinação destes dois elementos a causa forte da miséria moderna. Cada um desses dois elementos separadamente levados em conta são sempre incomparavelmente inofensivos. Uma pessoa convencida de ter uma obrigação moral de ser benevolente, mas que na verdade coloca a moralidade nos baixos patamares, ou pelo menos em um grau menor; ou, novamente, uma pessoa também convencida que sua obrigação moral suprema é, não ser benevolente, mas ser piedosa, sábia ou criativa: em ambos os casos, é possível que elas possam vir a se tornar um flagelo para os outros humanos, embora na maior parte dos casos isso não aconteça. E mesmo no pior dos casos, o sofrimento causado por tal pessoa, tornar-se-á irrisório perto do sofrimento causado por Lênin, Stálin, Lênin, Mao Tsé Tung, Ho Chi Minh, Kim I-Sung, Pol Pot ou Fidel Castro: pessoas convencidas de ambas as coisas, tanto da supremacia da benevolência entre as obrigações morais e da supremacia moral sobre todas as coisas. É essa combinação a infalível e enorme força destruidora da felicidade humana.

O problema do mundo livre é que essa combinação letal não é de forma alguma peculiaridade dos comunistas. Pelo contrário, é compartilhada pelos utopistas do Iluminismo (como eu estava dizendo antes), os governantes de facto do mundo livre – e têm sido nos últimos vinte anos. Essas pessoas com certeza não são comunistas, apenas por conta deles nunca terem feito o “avanço intelectual” que, como eu disse, separa o “socialismo científico” de Marx do “socialismo utópico”. Mas eles são, pelas razões mencionadas anteriormente, quase tão perigosos quanto os comunistas.

Essa nossa obrigação de aumentar a felicidade humana, ou diminuir o sofrimento, é uma ideia de dez minutos atrás, historicamente falando. A raça humana em geral, sempre supôs que sua obrigação moral primária residia em outro lugar: em ser santa, ser virtuosa ou praticar uma virtude específica: lealdade ou coragem, por exemplo. Uma obrigação de aumentar a felicidade geral ocupou pouco ou quase nenhum lugar na maioria dos sistemas morais, seja dos letrados ou dos ignorantes. Mas dos contemporâneos aos quais me refiro, qualquer coisa moralmente mais importante que a felicidade humana é simplesmente inconcebível. Você pode facilmente confirmar isso pedindo a qualquer um deles um exemplo de algo que eles considerem moralmente ruim. Você verá as respostas dadas; em todos os casos, virá um exemplo evocando essencialmente a dor.

E então, essas são também pessoas que colocam a moralidade em primeiro lugar. Você pode perceber isso facilmente, pois (como eu disse anteriormente) todas elas supõem que essa é apenas uma pergunta retórica, “Não devem os erros ser corrigidos?”. Ainda não é nada do gênero; e é neste ponto ao qual a lógica pode pelo menos uma vez fazer algo digno de ser lembrado.

Não se segue de algo ser moralmente errado a necessidade de removê-lo. Não se segue que seria moralmente preferível se essa coisa não existisse. Nem mesmo se segue que nós temos alguma obrigação moral de tentar remover isso. X deve estar errado, ainda assim toda alternativa à X é tão errada quanto X, ou até mais. Pode ser que, mesmo uma tentativa de remover X, seja tão errada quanto já é X, ou até mais. Pode ser que toda alternativa à X, e qualquer tentativa de remover X, embora não seja errada em si mesma, inevitavelmente terá efeitos tão errados quanto X, ou pior. A conclusão falha novamente se (como muitos filósofos acreditam) “dever” [ought] implicar “poder” [can]. Pois nesse caso há pelo menos alguns males, nomeadamente os males necessários, aos quais ninguém pode ter qualquer obrigação de remover.

Essas são verdades puramente lógicas, mas elas também são verdades às quais, na maior parte da história, a experiência comum da vida as abrigou na casa das pessoas mesmo de inteligência moderada. Que quase toda decisão é uma escolha entre males; que o melhor é um inveterado inimigo do bem; que a estrada para o inferno está pavimentada de boas intenções; tais provérbios populares estão entre os mais certos, tais como as largamente conhecidas lições da experiência. Mas de uma forma ou outra, a imunidade completa a elas foi de uma vez por todas conferida a qualquer um que entrasse em uma universidade.

Não pareço conservador, eu sou conservador. Conservador porque respeito aquilo que é clássico. Clássico não é o velho, clássico é aquilo que é eterno.”, Enéas Ferreira Carneiro (1938 – 2007): Médico, físico, matemático, professor, escritor e político brasileiro.

Em 1967, pelo que mais foi admirada a oposição estudantil ao envolvimento americano no Vietnã? Pelo “idealismo” – todos sabem disso. Isso significou, essencialmente, a necessidade de convencê-los apenas do caráter errôneo desse envolvimento, apenas para concluir de uma vez por todas, que aquilo deveria terminar independente de quais fossem as consequências. Isso pode ou pode não ter sido idealismo, não sei; mas eu sei que isso foi uma péssima lógica. Os professores desses alunos poderiam ter feito um serviço público e intelectual apontando essa falácia. Mas eles não costumam fazer isso.

Deve-se deixar de dizer que os conservadores, muitas vezes, erroneamente acreditam que uma quantidade de mal é necessária, ou pelo menos suas alternativas são pelo menos tão ruins quanto, ou que qualquer tentativa de remover esse mal pode ter consequências piores. Tais erros são, sem dúvida, a parte mais importante da retórica dos “reformistas”, e eles são de fato comuns. Nós precisamos simplesmente “dividir de um lado a outro” com eles, pois é certo que os conservadores erram pelo menos na mesma quantidade do outro lado. Há, assumidamente, uma assimetria entre os lados, onde o conservador terá frequentemente mais interesse no assunto do que o reformador utópico, algo pessoalmente a perder, na tentativa de suprimir certo mal. Mas mesmo essa assimetria é anulada por outra: a de que o conservador é mais provável de estar certo, porque o interesse pessoal, muitas vezes aguça a percepção intelectual, enquanto que a “fome e sede de justiça” sempre atrapalham.

• • •

A maior parte deste ensaio até agora tratou em termos universais, e uma parte dele, filosóficos. Eu critiquei o único argumento universal do anti-conservadorismo que eu conheço, e minha principal objeção ao utopismo iluminista foi o precipício metafísico ao qual se abriu entre o passado e o presente. Em favor do conservadorismo eu avancei em direção ao argumento empírico da probabilidade das nossas ações terem consequências imprevisíveis e indesejáveis; também fiz um apontamento lógico de que não se segue, sobre algo ser mau ou errado, que o mundo seria melhor sem ele. Ambos são argumentos muito gerais em favor do conservadorismo: eles se mantêm a qualquer época ou circunstância. Mas seria absurdo para mim, mesmo eu sendo um filósofo, omitir completamente o argumento especial em favor do conservadorismo ao qual é fornecido pela nossa atual situação social.

A fim de travar conhecimento com meus oponentes no único campo onde eles se sentem a vontade; não direi nada sobre nossa presente situação exceto nessa dimensão de alegria-tristeza. Deixarei de lado todas as questões de valor e falarei apenas de fatos. Eu vou evitar até mesmo levantar qualquer questão sobre os atos futuros: por exemplo, se uma sociedade tal como a nossa pode sobreviver dez anos. Apenas os fatos então: apenas fatos, e mesmo neles, sobre alegria ou o seu oposto; e apenas os fatos presentes ou passados.

Há variadas determinantes operando sobre a felicidade humana, e algumas delas não são apenas internas, mas privadas, e dificilmente elas são acessíveis ao conhecimento público. Mas há outras externas, públicas, e até mesmo óbvias. Consideremos apenas duas das mais óbvias determinantes de felicidade ou sofrimento de uma sociedade: respeito pela vida humana e respeito pela propriedade. Ambas devem estar presentes no mais alto grau, é claro, e ainda a sociedade vai sofrer: dependerá sobre o quê os demais fatores estarão operando. Mas a sociedade precisa ser extremamente infeliz e exercer cada vez menos respeito pela vida ou pela propriedade privada; e onde um desses dois fatores for baixo, é certo que essa sociedade será extremamente infeliz, não importa quais outros fatores operam ali.

Como estamos colocados então, aqui e agora, em relação ao respeito à vida humana e à propriedade privada, comparados a cem, cinquenta ou vinte e cinco anos atrás? Como todos sabem a respostas a essa questão, não há necessidade de dizer muito sobre isso, mas alguns fatos relevantes merecem ser mencionados.

Falemos primeiro sobre o respeito pela propriedade. Toda escola, cabine telefônica, de fato todo prédio público ou instalação, se não é permanentemente guardado ou uma fortaleza, está agora ou sendo danificado, ou assaltado, ou desfigurado em uma questão de uma rotina quase diária. Todo domicílio privado ou local de trabalho é roubado frequentemente se não for uma fortaleza, e às vezes mesmo se for. A polícia, que naturalmente já temos bastante, tem apenas um morno interesse em resistir a onda de crimes que eles não poderiam conter nem se tivessem uma força dez vezes maior, e mesmo se eles fossem totalmente livres de toda a complacência tida em relação ao crime. As seguradoras cada vez mais reconhecem que o ramo de seguros – como a locomotiva a vapor e o respeito pelas mulheres, partes integrantes de um mundo que evanesceu– é também um ramo no rumo inevitável do aparecimento.

Quanto ao respeito pela vida humana: nas ruas, nos transportes públicos, mesmo em casa, toda criança, mulher e todo homem que não é um criminoso de média ou alta classificação, está constantemente exposto ao risco de assalto, estupro ou assassinato, ao qual não tem paralelo fora do mundo livre atual, ou mesmo existido previamente no mundo livre, excepcionalmente em épocas de guerra ou ocupação, e só nessas épocas. Em qualquer frondoso subúrbio, embora o governo local o proíba de cortar, mesmo que seja no seu próprio quintal, a vida de uma árvore, centenas de jovens humanos somem em banheiros todos os dias. Quase todas as famílias agora sentem os efeitos do desdém pela vida alheia mostrada pelos usuários de drogas, traficantes e afins. Homens homossexuais insistem sobre seu direito de pôr em perigo a vida de outras pessoas indiferentemente, sejam elas outros homossexuais, enfermeiros ou funcionários dos hospitais ou meras pessoas presentes; e eles insistem tão efetivamente que os doutores, que são obrigados por lei a notificar às autoridades públicas de saúde a identidade de qualquer portador de qualquer outra doença infectocontagiosa, são proibidos por lei a fazê-los nos casos dos portadores de AIDS.

Seria meramente cansativo estender este catálogo de fatos tão excessivamente familiares. Mas esses são fatos que, sem exceção, são extremamente novos. Essas coisas ou não existiam, ou nada remotamente comparável a elas em escala existiu, seja, cem, cinquenta ou vinte e cinco anos atrás. O fato é que esse íngreme declive pelo respeito à vida humana e pela propriedade privada data precisamente a partir da ascensão ao poder desses novos governantes nossos, aos quais falei anteriormente; e este declive está pari passu com a extensão e consolidação de seus governos desde os últimos vinte e poucos anos.

Se alguma pessoa acreditar que essa é uma mera coincidência temporal, dificilmente valerá a pena argumentar com essa pessoa. É óbvio o bastante que a dissolução interna dos países livres, e a irresolução externa que se instalou ao mesmo tempo, são dois efeitos de uma mesma causa: aquele deslocamento de percepção que se deu entre 1965 e 1970 e começou nos campos (ou nos passeios, para ser mais exato) de Berkeley.

Esse argumento ‘aqui-e-agora’ em favor do conservadorismo poderia ser impugnado, claro, se outra lista pudesse ser compilada para coincidir com os argumentos dados por mim: uma lista de outras maneiras em que, no mesmo período, a felicidade na nossa sociedade foi obviamente e massivamente aumentada tanto quanto tenha sido diminuído do declínio do respeito pela vida e pela propriedade. Mas poderia tal lista ser compilada?

Sugestão de leitura: “O Livro Negro do Comunismo”, por Stéphane Courtois,‎ Nicolas Werth,‎ Jean-Louis Panné,‎ Andrzej Paczkowski,‎ Karel Bartosek e Jean-Louis Margolin. Tradução de‎ Caio Meira.

Eu não estou tão desesperado com as sociedades como as nossas a ponto de acreditar que não se fez nenhum progresso na felicidade entre 1967 e 1987. Pelo contrário, estou convencido de que houve um real, e até mesmo desigual, progresso nessa dimensão. Beneficiários do mercado de drogas, por exemplo, são certamente mais felizes agora do que eram seus similares de 1967; assim como os beneficiários do mercado de vídeos pornográficos; assim como os funcionários da KGB afortunados o bastante para serem colocados entre nós. Mas essas são classes numericamente menores em relação à população em geral e, mesmo se eles fossem colocados todos juntos, o aumento de felicidade deles dificilmente compensaria o aumento geral no sofrimento humano resultante do íngreme declínio do respeito à vida humana e à propriedade.

Alguém vai sugerir, imagino, que nas nossas sociedades a felicidade dos homens, crianças ou das próprias mulheres foram ampliadas pela convulsão feminista? Isso dificilmente seria sequer uma piada, seria uma indesculpável piada, que apenas uma olhada para o rosto de alguma convulsionária seria o bastante para se refrear. De qualquer forma, é óbvio que o próprio feminismo é uma importante causa no declínio da segurança legal e física a qual as mulheres sofreram nos últimos vinte e cinco anos.

Bem, alguém pode compilar uma lista de positivos para contrabalancear a lista de negativos dados por mim? Do meu ponto de vista, essa compilação é assunto de segunda importância, pois mesmo se alguém pudesse, vai apenas compensar o argumento local, não os gerais em favor do conservadorismo. Contudo, estou confiante que tal tarefa não pode ser realizada. Alguém se habilita?

Escrito por: David Charles Stove (1927 – 1994). Tradução de Leonildo Trombela Junior.
Publicado originalmente pelo website Mídia Sem Máscara, em 9 de agosto de 2012.

Para conhecer mais sobre o autor, leia: Who was David Stove?

Em adendo, assista ao vídeo no qual o filósofo Roger Scruton explica “o que é ser conservador”:

Leia também os artigos:

Leia também as transcrições:

avatar
640

Agora você pode interagir conosco e com outros leitores.


Basta deixar seu comentário no término de cada artigo!