Que surgiu primeiro, a mente ou a matéria?


É realmente crível que o processo aleatório possa ter construído uma realidade […] que excede em todos os sentidos qualquer coisa produzida pela inteligência humana?”, Michael Denton: bioquímico britânico-australiano. Em 1973 recebeu seu PhD em Bioquímica do King’s College de Londres.

Abaixo disponibilizamos um pequeno excerto do livro Fundamentos Inabaláveis, escrito por  Norman Geisler (1932 – 2019) e Peter Bocchino. A obra foi publicada pela Editora Vida, sob ISBN 978-85-7367-623. É válido mencionar que, a maior parte do trecho aqui reproduzido remete a outro livro, intitulado: God in the dock de autoria do famoso apologista cristão CS. Lewis (1898 – 1963).

“E assim”, disse o conferencista, “termino de onde comecei. Evolução, desenvolvimento e a lenta luta para cima e para diante, do início bruto e rudimentar para a perfeição e elaboração sempre crescentes – o que parece ser a verdadeira fórmula de todo o universo.

“Vemos isso exemplificado em cada objeto que estudamos. O carvalho vem da semente. O motor expresso gigante de hoje vem do Foguete. As mais altas realizações da arte contemporânea estão numa linha contínua de descendentes desde os rudes desenhos com os quais o homem pré-histórico adornou as paredes das cavernas.

“O que são a ética e a filosofia do homem civilizado senão uma elaboração miraculosa dos instintos mais primitivos dos tabus selvagens? Cada um de nós se desenvolveu através de lentos estágios pré-natais nos quais fomos primeiramente mais parecidos com o peixe que com os mamíferos. Viemos de uma partícula de matéria pequena demais para ser vista. O próprio homem descende das bestas; o orgânico do inorgânico. Desenvolvimento é a palavra chave. A marcha de todas as coisas é partir das mais baixas para as mais altas.”

Naturalmente, nada disso era novo para mim nem para nenhuma outra pessoa no auditório. Mas foi muito bem colocado (muito melhor do que está na minha reprodução), e a voz e a figura do conferencista causavam profunda impressão. Pelo menos devem ter-me impressionado, pois de outra forma não poderia explicar o curioso sonho que tive naquela noite.

Sonhei que ainda estava na conferência, e a voz da tribuna ainda soava. Mas dizia tudo errado. Pelo menos podia estar dizendo coisas certas até o momento em que eu comecei a escutar, mas é certo que depois começou falar coisas erradas. Lembro-me de algo parecido com isto: “…parece ser a verdadeira fórmula de todo o universo. Nós a vemos exemplificada em cada objeto que estudamos. A semente vem do carvalho adulto. O primeiro motor mais primitivo, o Foguete, não vem de um motor ainda mais primitivo, mas de algo muito mais perfeito que ele próprio e muito mais complexo, a mente de um homem, e um homem genial. Os primeiros desenhos pré-históricos vêm, não dos desenhos mais primitivos, mas das mãos e do cérebro de seres humanos cujas mãos e cérebro não demonstram ter sido inferiores aos nossos. E, na verdade, é óbvio que o homem que primeiro concebeu a ideia de pintar um quadro deve ter sido um gênio ainda maior que qualquer dos artistas que o sucederam. O embrião que se desenvolveu em cada um de nós não se originou de algo ainda mais embrionário, originou-se de dois seres humanos plenamente desenvolvidos, nossos pais. Descendência, movimento para baixo, é a palavra chave. A marcha de todas as coisas é do mais alto para o mais baixo. O primitivo e imperfeito sempre surge de algo perfeito e desenvolvido”.

Não pensei muito nisso enquanto me barbeava, mas aconteceu de eu não ter nenhum aluno às 10 da manhã e, quando terminei de responder minhas cartas, sentei-me e comecei a refletir sobre o meu sonho.

Parecia-me que o Conferencista do Sonho tinha muito a dizer em seu favor, É verdade que vemos em torno de nós coisas crescerem em direção à perfeição, partindo de inícios rudimentares, mas também é igualmente verdadeiro que esses próprios inícios pequenos e rudimentares procedem de algo desenvolvido e plenamente amadurecido. Na verdade, todos os adultos foram um dia bebês, mas todos os bebês foram gerados por adultos e nascidos deles. O milho de fato vem da semente, mas a semente vem do milho. Eu até pude dar ao Conferencista do Sonho um exemplo de que ele havia-se esquecido. Todas as civilizações procedem de inícios pequenos, mas quando observadas, sempre permitem perceber que esses primórdios foram “deixados cair” (como o carvalho deixa cair suas sementes) por alguma outra civilização madura. As armas e até a culinária dos antigos bárbaros alemães são derivados da antiga civilização romana. O ponto de partida da cultura grega são os remanescentes de culturas minoanas mais antigas, suplementado por restos das civilizações egípcia e fenícia.

Pela primeira vez na vida, comecei a olhar para essa questão com os olhos bem abertos. No mundo que conheço, o perfeito produz o imperfeito, que novamente torna perfeito – o ovo leva ao pássaro, e o pássaro, ao ovo – uma sucessão interminável. Se alguma vez houve vida gerada espontaneamente de um universo puramente inorgânico ou alguma civilização se organizou de seu próprio estado selvagem, então esses eventos seriam totalmente diferentes dos inícios de cada vida seguinte e de cada civilização seguinte, respectivamente. Isso pode ter ocorrido, mas toda sua plausibilidade se foi. De qualquer ponto de vista, o primeiro começo tinha de ser exterior ao processo ordinário da natureza. Um ovo que não veio de nenhum pássaro não é mais natural que um pássaro que existiu desde a eternidade. E, visto que a sequência ovo-pássaro não nos leva a nenhum início plausível, não é razoáveis procurar a origem real de tudo em algum lugar fora da sequência? É preciso sair da sequência dos motores e entrar no mundo dos homens para encontrar o real originador do Foguete. Não é igualmente razoável olhar para fora da natureza para encontrar o real Originador da ordem natural? [1]

Esse roteiro de C. S. Lewis retrata com precisão a tarefa em mãos. Queremos saber se é razoável afirmar a existência de uma mente inteligente como a do “real Originador da ordem natural”. Estamos tentando descobrir o que veio primeiro: a mente criou a matéria, ou a matéria criou a mente? Deus criou o homem, ou o homem criou Deus? A inteligência surge da não-inteligência ou ela sempre usa inteligência para produzir inteligência?

Escrito por Norman Geisler (1932 – 2019) e Peter Bocchino. Tradução de Heber Carlos de Campos.
Excerto do livro Fundamentos Inabaláveis. Conteúdo obtido entre as páginas 111 e 113.
Obra publicada em 2003 pela Editora Vida, sob ISBN 978-85-7367-623.

Nota:

  1. God in the dock, p.208-11. Em português a obra Deus no banco dos réus foi publicada pela Editora Thomas Nelson Brasil, sob ISBN: 9 788578 607579.

Em adendo, assista ao vídeo no qual Norman Geisler (1932 -2019) faz comentários sobre outra obra de sua autoria, intitulada Não tenho fé suficiente para ser ateu:

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