Tempo que foge!


Tempo Que Foge!

Tudo o que é bom dura o tempo necessário para ser inesquecível.”, Fernando Pessoa (1888 – 1935).

Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora. Tenho muito mais passado do que futuro. Sinto-me como aquele menino que recebeu uma bacia de cerejas. As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.

Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflamados. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte. Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.

Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos. Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário geral do coral. ‘As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos’.

Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa…

Sem muitas cerejas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade, caminhar perto de coisas e pessoas de verdade.

O essencial faz a vida valer a pena. E para mim, basta o essencial!

Escrito por: Ricardo Gondin.

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Nota:

Constatamos que outros sites creditam a autoria deste poema a diferentes escritores, principalmente: Oswald de Andrade e Mário de Andrade; nós chegamos a atribuí-lo a este último. Após, pesquisas o artigo foi localizado na página 107 do livro: “Creio, mas tenho dúvidas”, escrito por Ricardo Gondin (ISBN: 8577790118).

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Assista ao Programa Provações de 29 de abril de 2014, nele Antônio Abujamra recita o poema “Tempo que foge!”:

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